Queda Capilar: É verdade que há mais queda de cabelo no outono?
- Dra. Vera Matos

- 11 de nov.
- 4 min de leitura

A verdade é que a maioria das pessoas já reparou que no outono o cabelo parece cair em maior quantidade. A escova enche-se mais depressa, o chão do quarto fica coberto de fios e até a fronha da almofada se transforma num lembrete constante.
Mas será isto apenas uma impressão ou existe mesmo uma explicação biológica? A chamada queda capilar sazonal é um tema que levanta muitas dúvidas, misturando factos científicos com mitos populares.
Neste artigo, vamos explorar o fenómeno em profundidade, explicar porque acontece, quando é considerado normal e em que situações pode esconder um problema mais sério.

O ciclo natural do cabelo
Para compreender a queda capilar, é fundamental conhecer o ciclo natural dos fios. Cada cabelo cresce, repousa e cai de forma independente, o que permite manter uma densidade capilar estável ao longo do tempo.
Fase anágena (crescimento): pode durar de 2 a 6 anos, dependendo da genética e de fatores individuais. É nesta fase que o fio cresce de forma contínua, a uma média de 1 cm por mês.
Fase catágena (transição): dura apenas algumas semanas. O folículo interrompe a produção do fio e prepara-se para entrar em repouso.
Fase telógena (queda): representa cerca de 10 a 15% dos cabelos. O fio solta-se naturalmente, permitindo que um novo cabelo, em fase anágena, comece a nascer.
É por este mecanismo que perder entre 50 a 100 fios por dia é considerado absolutamente normal. O problema surge quando a queda ultrapassa esse limite ou quando os novos fios não conseguem repor os que se perdem.
Por que motivo o outono favorece mais queda?
A ciência mostra que, tal como acontece com outros animais, o cabelo humano também pode sofrer oscilações sazonais. Durante o verão, muitos fios permanecem na fase anágena, protegendo o couro cabeludo da radiação solar. No entanto, quando chega o outono, uma proporção maior entra na fase telógena, resultando em queda mais evidente.
As razões para este fenómeno não são totalmente consensuais, mas há alguns fatores apontados:
Exposição solar acumulada: os meses de verão provocam stress oxidativo no couro cabeludo, acelerando a passagem para a fase de queda.
Alterações hormonais: estudos sugerem que mudanças nos níveis hormonais influenciam a densidade capilar ao longo do ano.
Temperatura e luminosidade: dias mais curtos e frios podem alterar o ritmo biológico dos folículos.
Alimentação e rotina: no verão, é comum haver menos disciplina com a dieta e a hidratação, o que pode refletir-se no estado do cabelo meses depois.
Por isso, quando chega o outono, a perda de fios pode parecer repentina, mas na realidade é resultado de todo o ciclo vivido durante a estação anterior.
Diferença entre queda sazonal e queda patológica
Apesar de ser um fenómeno normal, é importante saber distinguir quando estamos perante uma simples queda sazonal ou um caso de alopecia que exige acompanhamento médico.
Características da queda sazonal:
Surge de forma repentina, geralmente no outono ou primavera.
Pode durar entre 6 a 12 semanas.
O cabelo volta a estabilizar sem deixar falhas visíveis.
Características da queda patológica:
Persiste durante meses ou anos.
Leva a redução da densidade capilar (clareiras ou entradas mais marcadas).
Pode estar associada a sintomas como descamação, prurido ou dor no couro cabeludo.
Muitas vezes tem origem genética, hormonal ou inflamatória.
Reconhecer esta diferença é essencial para evitar alarmismos desnecessários, mas também para não ignorar sinais precoces de condições como a alopecia androgenética (mais comum nos homens) ou o eflúvio telógeno crónico (frequente em mulheres após situações de stress, doença ou parto).
Como lidar com a queda sazonal?
Mesmo quando é normal, a queda sazonal pode ser angustiante. Existem, no entanto, medidas simples que ajudam a manter o cabelo saudável durante este período:
Alimentação equilibrada: proteínas, ferro, zinco e vitaminas do complexo B são essenciais para o ciclo capilar.
Evitar agressões externas: reduzir o uso de calor excessivo (secadores, pranchas) e químicos agressivos.
Fotoproteção capilar: proteger o couro cabeludo da radiação solar reduz o stress oxidativo.
Cuidados cosméticos adequados: champôs suaves e loções fortificantes podem ajudar, embora não substituam tratamento médico.
Quando a queda se prolonga ou se torna excessiva, é fundamental procurar avaliação médica. A Medicina Estética e Capilar dispõe hoje de soluções eficazes e minimamente invasivas para travar a progressão e estimular o crescimento.
Opções médicas quando a queda não é só sazonal
Embora não seja necessário um capítulo exclusivo de “tratamentos médicos disponíveis”, faz sentido destacar aqui algumas soluções que os especialistas podem recomendar caso a queda seja mais do que sazonal:
Mesoterapia capilar: microinjeções de nutrientes e substâncias ativas que estimulam o folículo.
PRP (Plasma Rico em Plaquetas): utiliza fatores de crescimento do próprio sangue para regenerar o couro cabeludo.
Fármacos orais ou tópicos: como o minoxidil ou a finasterida, sempre sob prescrição médica.
Transplante Capilar: indicado apenas em casos avançados, quando há falhas visíveis e irreversíveis.
Estas abordagens não são necessárias em todos os casos, mas mostram que existe uma linha clara entre a queda sazonal e a queda que já é patológica e precisa de intervenção.
Perguntas Frequentes (FAQ) sobre a Queda Capilar
A queda capilar no outono é mesmo real?
Sim. Estudos comprovam que uma maior percentagem de fios entra na fase de queda após o verão, sendo um fenómeno sazonal.
Durante quanto tempo dura a queda sazonal?
Geralmente entre 6 e 12 semanas, estabilizando depois de forma natural.
Devo usar suplementos para prevenir a queda?
Podem ser úteis quando há défices nutricionais, mas só devem ser recomendados por um médico após avaliação.
Homens e mulheres são afetados da mesma forma?
Ambos podem ter queda sazonal, mas nos homens a predisposição genética para alopecia androgenética pode agravar o quadro.
A queda capilar no outono não é mito. Trata-se de um fenómeno real, associado ao ciclo biológico do cabelo e à influência das estações.
Na maioria dos casos, é temporária e autolimitada, mas é fundamental estar atento aos sinais que diferenciam uma simples queda sazonal de uma alopecia progressiva.
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